CONGELADA NA ESPERANÇA DE SER TRAZIDA DE VOLTA À VIDA: A SAGA DE MATHERYN NAOVARATPONG

Menina de dois anos foi vítima de um raro câncer na cabeça e seu cérebro foi levado para conservação em criogenia. Comovente história é contada em documentário da Netflix




Será a ciência capaz de superar todos os limites da vida? Um dia, quem sabe, os avanços tecnológicos serão capazes de trazer de volta aqueles que já foram? As respostas para essas perguntas são tratadas com otimismo pelos pais da menina tailandesa de dois anos, Matheryn Naovaratpong.


Mas qual a motivação deles para isso?

Tudo começou no início de 2015, quando a pequena Naovaratpong se tornou a pessoa mais jovem do mundo a ser congelada por criogenia. Vítima de um raro câncer cerebral, a garota morreu em 8 de janeiro, pouco antes de completar seu terceiro aniversário. Sua história de vida, ou melhor de uma busca pelo “pós-vida”, é contada no documentário Contornando a Morte, que já está disponível na Netflix.


Quando a morte da garota foi confirmada, seus pais, que são biomédicos, optaram pelo procedimento na esperança de dar a filha uma nova chance de viver, mesmo que isso só aconteça no futuro.


"Assim que ela ficou doente, surgiu imediatamente a ideia de que deveríamos fazer isso por ela, por mais que seja impossível hoje", conta seu pai, Sahatorn, em entrevista à BBC. "Fiquei realmente dividido quanto a esta ideia, mas precisava me agarrar a ela. Então, expliquei tudo para minha família."


Assim, ele optou por preservar a pequena Einz, como eles carinhosamente a chamam, com uma tecnologia conhecida como criogenia — onde o corpo, ou neste caso apenas o cérebro, é congelado em baixíssimas temperaturas até que, em algum momento do futuro, a ciência já tenha se desenvolvido o suficiente para trazê-la de volta a vida.


"Como cientistas, temos 100% de confiança de que isso acontecerá — só não sabemos quando", comenta Sahatorn. "No passado, poderíamos pensar que levaria 400 ou 500 anos, mas, agora, podemos imaginar que será possível em 30 anos."



Apesar de, em um primeiro momento, a escolha ser de difícil compreensão para a família, logo todo foi aceito e, assim, eles escolheram a ONG Alcor, do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, que promete os serviços da chamada “extensão da vida”.

Para que o corpo da jovem fosse transferido até lá, assim que seu óbito foi declarado, a equipe da ONG removeu todos seus fluídos corporais, substituindo por um líquido anticongelante, o que propicia que o corpo possa ser congelado sem que os tecidos sejam comprometidos. Com isso, quando a menina chegou no Arizona, seu cérebro foi removido e preservado em uma temperatura de -196°C.




Os pais de Einz entendem que, apesar do enorme tempo inativo, o cérebro da menina preservará todos seus pensamentos e personalidades, a ponto de que quando for “acordada”, eles serão o suficiente para que ela tenha sua vida reconstruída.

Entretanto, não é dessa maneira que pensa o médico pediatra Carlos Alexandre Ayoub, presidente do Centro de Criogenia do Brasil. Em entrevista para o UOL, ele compara esse procedimento à memória de um computador: "Quando você salva alguma coisa na memória, você salva no disco rígido. O nosso cérebro não tem disco rígido, só ondas elétricas. Se elas param de funcionar, não tenho essa gravação. Quando ligar de novo aquele cérebro, ele perdeu tudo o que tinha”.

Já a ONG, por sua vez, diz que a operação é “um experimento no sentido liberal da palavra”. Ela não promete uma segunda chance a vida, mas entende que a criogenia é um "esforço para salvar vidas”. De qualquer forma, a família da jovem separou fotos e vídeos da pequena para que ela possa saber mais de sua vida passada.

Apesar dessa ideia, de que num futuro seja possível trazer alguém de volta à vida, possa deixar muitas pessoas desconfiadas ou desconfortáveis e muitos entenderem que isso foi feito apenas para ‘evitar’ o sofrimento de perder alguém tão próximo em uma idade tão nova, os pais de Einz sofrem com tudo isso ao mesmo tempo em que mantém a esperança de que num futuro a filha viverá novamente.


"Foi nosso amor por ela que nos levou a este sonho da ciência", conta Sahatorn. "Com certeza, nossa sociedade está avançando a uma nova forma de pensar em que isso será aceitável”.

Os pais da jovem também planejam terem seus corpos preservados com criogenia, mesmo que eles reconheçam que existam poucas possibilidades de se encontrarem novamente com sua filha em suas novas vidas. Além da quantia investida com a garota, o casal doou o mesmo valor gasto na preservação da filha para pesquisas relacionadas ao câncer na Tailândia.

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