LANÇADO HÁ EXATOS 81 ANOS, "...E O VENTO LEVOU" SEGUE MARCADO POR CONTROVÉRSIAS RACIAIS

O aclamado filme americano lançado em 1939 ganhou 10 estatuetas do Oscar — mas teve de passar por revisão em junho de 2020


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Considerado pelo Instituto Americano de Cinema o sexto maior filme estadunidense de todos os tempos, "...E o Vento Levou" não apenas acumula prêmios, mas também é uma das obras mais prestigiadas de todos os tempos. Vencedor de 10 Oscars, a comemorada compra do título no catálogo do canal americano Turner Classic Movies (TCM) fez com que, até o ano de 2020, a obra pertencesse unicamente ao acervo da emissora por assinatura.


Em junho deste ano, no entanto, o conglomerado da WarnerMedia fez questão de incluir o catálogo de filmes da TCM no serviço de streaming HBO Max, reascendendo uma polêmica com a disponibilização do clássico ao público. As representações raciais presentes na obra lançada em 1939 voltaram a ser questionadas por colocações racistas e um posicionamento incondizente com a então situação dos EUA pós-Guerra Civil.


O estopim ocorreu com o posicionamento do cineasta John Ridley, vencedor do Oscar pelo roteiro de "12 Anos de Escravidão". Em artigo ao The Los Angeles Times, ele afirmou que, em pleno momento em que os EUA passavam por uma série de protestos após a morte de George Floyd, o relançamento de "um filme que ignora os horrores da escravidão" era "doloroso". Foi suficiente para que, no mês seguinte, o filme fosse tirado da plataforma.



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Contexto histórico


No enredo, um romance é protagonizado em uma plantação da Georgia, no sul do país, durante e após a Guerra Civil americana. A personagem principal é filha do dono da plantação, que ainda conta com escravos — representados na obra como figuras dóceis e que faziam questão de estar na fazenda, mesmo após o fim da Guerra.


Apesar dos inúmeros elogios — incluindo a primeira premiação de uma atriz negra na história do Oscar, com Hattie McDaniel vencendo como "Melhor Atriz Coadjuvante" — poucos críticos da época fizeram questão de se opor a retratação das "pessoas de cor" descritas no filme. A solução da HBO Max, foi colocar um aviso antes da exibição, explicando que a obra reflete um período onde as avaliações raciais eram menos abrangentes.


Contudo, o filme, sobre um período tão importante, já era pressionado em sua pré-produção pela Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), que conseguiu convencer o produtor David O. Selznick a contratar um consultor para observar como os negros eram tratados, tanto no set, como na obra. Selznick contratou dois, porém, ambos brancos, como noticia o New York Times.


Opiniões necessárias


Dentre os poucos registros de críticas na época do lançamento sobre o posicionamento racial da obra, o dramaturgo Carlton Moss teve a oportunidade de manifestar sua chateação em um artigo ao The Daily Worker, afirmando que a produção "ofereceu uma coleção heterogênea de personagens negros que insultaram o público negro".


Na ocasião, ele acrescentou que a personagem Mammy, de McDaniel, era "especialmente repulsiva" pela construção de um personagem extremamente submisso. A opinião foi compactuada em uma editoria da época, publicada pelo Chicago Defender, que descreveu a obra como "uma arma de terror contra os afro-americanos".


A HBO Max também fez questão de que o debate fosse aberto após o relançamento e, ao colocar o filme contendo o aviso de volta ao catálogo, adicionou um conteúdo extra contendo a apresentadora negra Jacqueline Stewart explicando o contexto da obra, e um debate, com uma hora de duração, discutindo o legado da obra em um painel moderado pelo historiador Donald Bogle.


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